Agricultura de larga escala ameaça animais polinizadores, alerta pesquisa

8 de agosto de 2017

Pesquisa divulgada nesta terça-feira, 9, na revista científica PeerJ, aponta ameaças e oportunidades para abelhas e demais espécies polinizadoras em agricultura, nos próximos 30 anos. Dentre o grupo de 17 cientistas envolvidos no trabalho, o professor Breno Magalhães Freitas, do departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Ceará (UFC), foi o único representante brasileiro.

Segundo os pesquisadores, a agricultura de larga escala pode reduzir a população ou até eliminar os animais polinizadores. Com a expansão deste modelo de cultivo, o desenvolvimento de novos inseticidas e a descoberta de vírus emergentes, as abelhas e demais polinizadores enfrentam sérios riscos.

AMEAÇAS E OPORTUNIDADES 

A pesquisa, financiada pela União Europeia, foi conduzida por um grupo de 17 cientistas, liderados pelo professor Mark Brown, da Royal Holloway University of London.

O grupo identificou ameaças futuras e oportunidades a serem aproveitadas, no intuito de proteger as abelhas e demais insetos, além de aves, mamíferos e répteis polinizadores. Brown explicou que “cerca de 35% da produção agrícola mundial e 85% das plantas silvestres com flores dependem de polinizadores que enfrentam as mais diversas dificuldades para sobreviver e prosperar”. Hoje são usadas práticas que aumentam a produtividade agrícola mas prejudicam estas espécies. Estas consequências são “muito reais para o nosso bem-estar”, finaliza Brown.

Foram listados 60 riscos e oportunidades identificados para os polinizadores. Deles, seis têm alta prioridade:
– controle corporativo da agricultura em escala global;
– a sulfoximina, uma nova classe de inseticidas;
– os novos vírus emergentes;
– o aumento da diversidade de espécies polinizadoras manejadas;
– os efeitos de eventos extremos no âmbito das mudanças climáticas;
– e as reduções no uso de produtos químicos em ambientes não agrícolas.

A pesquisa destaca também as indústrias agroalimentares como a maior ameaça para os polinizadores. A homogeneização de práticas agrícolas pelas empresas pode ser exemplificada pelo uso padronizado de sistemas de produção mesmo em paisagens diferentes, “reduzindo significativamente a diversidade e número de polinizadores nativos”, alerta Sarina Jepsen, diretora de espécies ameaçadas e programas aquáticos, da Sociedade Xerces, e coordenadora do grupo de especialistas em abelhas Bombus, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

O professor Breno Freitas da UFC destaca a importância de uma ação para proteger os polinizadores. Para ele, as opções são: continuar a usar medidas paliativas que geralmente não funcionam, ou agir com “governos e as grandes corporações, como as indústrias agroalimentar e de pesticidas, para que assumam suas parcelas de responsabilidade e atuem em conjunto com os pesquisadores, ONGs e a sociedade em geral na implementação de medidas preventivas, para minimizar possíveis problemas antes que aconteçam”, declara.

Fonte: O Povo